O ordinário do cotidiano
Por Renata Alves


Hoje vivemos em um mundo tão acelerado.
Temos pressa em tudo o que fazemos.
Áudios acelerados no WhatsApp, sair sempre correndo de casa para o trabalho, para dar conta de todos os compromissos diários.
Mas hoje eu parei, porque queria te pedir que pare também.
Onde e em que horário, eu não sei. Só pare e contemple.
Começo meu dia ouvindo passarinhos em bando, cantarolando uma música que não consigo decifrar, mas, na minha mente, sempre cantam com alegria e paixão pela vida.
Antes que eu retire o carro da garagem, os procuro e, como aquele ditado diz: "aquilo que você procura também procura por você", eles estavam juntos e em um lugar fácil, me atrevo a dizer, quase estratégico para que eu os visse.
Parece que só precisamos treinar o olhar para que a magia aconteça.
Ainda no caminho, paro no sinal vermelho e começo a buscar.
Para minha surpresa, encontro de novo.
Dessa vez foi bem curioso.
Eu vi uma mãe com seu ninho no sinaleiro, no espaço entre as luzes do semáforo.
Mas é engraçado como uma coisa remete à outra.
Pensei logo em quantas vezes nós, mães, nos colocamos em situações estranhas para proteger nossos filhos.
Lembrei-me da minha mãe.
Ela tem cuidado de mim de uma maneira tão linda e amorosa que só uma mãe pode fazer.
Depois que meu filho escolheu morar com o pai, a minha rejeição gritou e me lembrou de tanta coisa que faltava na minha vida.
Por muito tempo olhei para a falta: falta de um propósito que, para mim, era a maternidade; falta de um amor para partilhar a vida; falta do meu pai, que faleceu.
Como disse anteriormente, passei a treinar o meu olhar para o que tenho e, sinceramente, tenho tanto.
Tanto da Renata, tanto de mãe, tanto de livros, tanto de disciplina e outros tantos.
Mas isso não quer dizer que dias de angústia e de falta ainda me visitem.
Aprendi que eles passam.
Isso é o paradoxo da vida: dias bons, dias não tão bons.
Desejo a mim e a vocês, leitores invisíveis, que saibamos enxergar a beleza nos detalhes do ordinário que chamamos de vida.



